28 de mai de 2010

Insônia

E ao olhar para traz me vejo chorar... Novamente...

Podia estar mais feliz se tivesse feito as escolhas certas...
Mas... O tempo passa é passa tão rapidamente que mal tenho tempo de saborear os poucos bons momentos...
E por tantas vezes sinto que o mundo, ou pelo menos este meu mundo, ou melhor, sinto que a vida, ou pelo menos esta minha vida, não tem qualquer sentido, qualquer significado.

Será que estou feliz?

...Claro que não estou feliz. Se estivesse feliz não escreveria estas coisas, nem ousaria ter pensamentos como estes.
Às vezes penso como seria bom poder voltar e revirar o passado, reescrever algumas linhas que com certeza alterariam o meu presente, mas infelizmente isso não depende apenas de mim...

Me sinto fraca...
Não tenho forças para lutar...

As poucas forças que tinha ficaram presas numa outra batalha que nem sequer me pertencia, e que mesmo assim fui, por força de ventos imprevisíveis, arrastada.

Queria chorar, e ira até o fundo do poço, queria sofrer, queria me sentir inútil, queria esquecer o mundo lá fora, e queria pensar só em mim, e em alguns momentos queria apenas afogar as minhas mágoas nas minhas tristes lágrimas, e não pensar em mais nada.
Mas, nem sequer tive tempo de limpar as primeiras lágrimas. Tive que me fazer de forte e esquecer que também estava mal, porque alguém precisava da minha força para sorrir e esquecer a tristeza. Não tive tempo para ir ao fundo do poço e dar a volta por cima. Fiquei pendurada numa linha intermédia em que permaneço.

Estou cansada...

... Cansada de acreditar, de sonhar... Cansada de não conseguir gritar, de desabafar, de não me aceitar, de ter medo... Cansada de não conseguir sorrir, de esperar sem saber o que, de tudo tão igual ao anterior... Quero chorar e não consigo, quero ser forte, acreditar no amanhã, sonhar, sorrir, ser aquela que outrora encarava a vida de frente quando viveu a sua pior fase de “sempre”...

Simplesmente... Já não sei o que quero...

Mas isto passa, há de passar... Sempre passa...

E então...
Uma noite sonhei...
Sonhei que estava feliz...
Sonhei que os meus sonhos tinham sido realizados...
Mas, quando acordei, uma lágrima acordou comigo, porque o sonho não era real. Talvez se ficasse presa a esse sono, a um sono profundo e eterno, conseguisse sorrir e ser feliz…




21 de mai de 2010

A dor...

“...Assim como a dor que fere o peito isso vai passar também...”

Sempre criei expectativas em relação à vida: pessoas, momentos, futuro e principalmente sonhos de uma vida que nunca existiu... E hoje em meio a tantos planos desfeitos me perdi...
Não há paz, só existe uma tristeza imensa, uma dor infinita, sem fim, que nunca vai embora, e agora tudo esta escuto, tudo esta sem brilho... Não vejo mais sentindo, e no meio de toda essa escuridão não consigo encontrar o caminho de volta...
Dizem que a dor faz parte da vida, até concordo com isso, o que esqueceram de relatar e o que a dor pode fazer com uma vida, ou pior que ela pode se alojar por tempo indeterminado, sem se dar conta de como ela é visita indesejável e hostil. Mas há de se aprender com cada processo dolorido e arrastado o que os dias nos reservam...

Será?
É se ela não for embora?
Alguém tem uma solução para isso?

Eu sei o que todos iram dizer, sempre as mesmas frases clichês: “Olhe a sua volta, a vida e tão maravilhosa”, “Você tem tudo para ser feliz”, “Amigos”, “Família”... e blá...blá.. blá...
Mas... O que realmente é FELICIDADE?

E ter?
E conquistar?
E buscar?
E trilhar?
E lutar?
E consumir?
E sonhar?
E amar?

A cada dia vejo que não nasci pra isso tudo, não me encaixo em nenhum lado da moeda...

“Ah vai! Me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém... Afim de te acompanhar”

Não consigo me entender... Palavras que me magoaram repassam em minha mente, sinto um rancor enorme... Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro...
Preciso procurar um buraco bem fundo, onde ninguém me encontre, onde esteja escuro e frio. Qualquer lugar é melhor que este, onde pessoas não se entendem, não me entendem... Só julgam.
Não preciso ser julgada, muito menos entendida, só preciso de paz, só preciso que essa dor cesse...
Como um coração partido que ainda bate na dor... Não Chorei... Não sorri... Será que ainda existe cura?

Você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar. (Caio F.)