7 de jul de 2010

Quem sou Eu...

Em uma daquelas guerras internas onde não você consegue decifrar o que está acontecendo precisei entender o real sentido de "andar com seus próprios pés". É difícil, mas as circunstancias acabam levando pra longe de nós quem a gente mais precisa ter perto, ou quem agente pensa precisar. Essa distancia pode durar uma semana, um ano, ou até dez anos e na pior das hipóteses pode durar uma eternidade. E foi assim que aprendi a lidar com a falta, da pior forma, talvez não tenha sido a mais agradável, mas foi útil, digamos que até essencial.
Não seria hipócrita ao ponto de dizer que fui forte, não fui, eu desmoronei como um prédio em chamas, eu achei que ali estavam destroços de alguém que não conseguiria mais se reconstruir, eu quis não mais acordar e, por vários momentos, imaginei que o mundo seria melhor sem mim, egoísmo de minha parte achar que o mundo dependia de minha morte, na verdade, tanto faz como tanto fez, surgiram as paranóias e as loucuras, dependências, vícios, manias, o descuido. Descuidei de mim mesma e das coisas que se encontravam ao meu redor, talvez um disco, um brinco, um pouco de cabelo no chão, um livro, um coração, uma lágrima ou talvez um pedaço de papel, eu devo ter perdido muitas dessas coisas enquanto me lamentei da injustiça do destino, tive que me recompor, pegar o que sobrou de minhas tralhas e seguir minha rotina, fingindo que não passou de um sonho ruim, precisei estampar o sorriso no rosto, reaprender a brincar, aprender a não sentir saudades; e se sentisse, tive que contentá-la com as lembranças.

E então...

O tempo foi passando e surgiu o costume de fingir que essa parte da minha vida não existiu, conheci outras pessoas, lugares novos, obtive conhecimentos, musicas, livros, flores. Conheci um universo oposto, não pior, nem melhor, apenas diferente do que eu imaginava conhecer, me assustou, intrigou, surpreendeu, precisei reaprender a agir com os humanos e, apesar de sempre ter várias pessoas a minha volta, me vi sem ninguém que pudesse me dar à mão e falar 'não sei se vai dar certo, mas vou com você', então precisei dar a mão a mim mesma, me apoiar nos meus próprios ombros e rir das minhas próprias bobeiras. Depois da tempestade, chegou à calmaria, e então, não sei se fiz certo ao me entregar de corpo e alma a alguém, mas eu sei que independente de certo ou errado, valeu a pena, chorei e sofri como em tudo que acontece de melhor, mas os sorrisos, os momentos, estes estarão comigo sempre, igual aqueles que eu jurei não mais recordar com medo de sofrer, aqueles em que, por alguma coisa boba, por um grão de areia boiando no mar, por uma caminhada de 2 horas até um lugar chato, por algumas risadas dadas bem na hora em que algo triste foi dito, por qualquer coisa, por isso tudo eu hoje estou aqui.
E se não existissem as dores, as mágoas, as raivas, os choros, as derrotas, as depressões, as ironias do destino, os tombos sobre cacos, as pancadas na cabeça...
Ah sem isso...
Sem isso, talvez eu ainda estivesse lá, esperando o mundo girar a minha volta, descrente comigo, descrente com os outros, descrente com a vida
E se hoje algum perguntasse o que resumiria tudo, eu diria com toda certeza que seria...

E se...

E se eu tivesse me entregado...
E se eu deixasse a saudade... A dor... O amor... As dores... O remorso... A angustia, tomar conta de mim...
E se eu não tivesse sido forte...

E se...

“E se” não e certeza, eu tenho certeza do que eu tenho hoje eu só acredito no que eu conquistei até hoje, e nada dessas bobagens de não sentir, de não amar novamente, de não chorar mais, de não brincar mais, de não pagar mais micos.

Nenhuma demonstração vai economizar meu tempo, nenhuma economia boba vai trazer minha felicidade, tenho que esbanjar... Preciso de algumas roupas novas, de um truque melhor, de um novo penteado, de brincos mais bonitos, de outros amigos, conhecer novos lugares, ter mais força, mais coragem, mais auto-estima, mais ânimo, mais acessórios, mais livros, mais bugigangas.
Eu simplesmente preciso somar vantagens e não minimizá-las.
E agora...
O tal “E se...” não importa mais. Porque eu não vou mais sofrer e nem deixar de sofrer.
Quero um pouco mais de gosto por mim, acompanhar a arte, as tendências, a mídia, as criticas, as noticias, os clichês, a busca por uma personalidade própria, as invenções de outros universos pessoais. Quem sabe até, acompanhar um pouco mais sobre culinária, decoração de interiores, mecânica, fotografia, literatura, história, formulas, amigos imaginários, religião, política, esportes; quero vestir verde limão em um dia e odiar essa cor no dia seguinte...
Quero chorar de vez em quando e sorrir do meu próprio choro.
Quero parar de querer as coisas.
Quero ser mais livre.
Quero um “Eu” melhor.
E sei que posso, sei que tenho tempo pra ser assim, mesmo não tendo tempo pra mais nada, e é assim que vai ser, longe das limitações de um mundo imaginário, e nunca impedir que os horizontes desse mundo se abram para que a minha fantasia se torne a melhor.
Seja como for, não vou ficar nem longe, nem perto, tudo depende de tal 'equilíbrio emocional'.

ou não...
...Seja como for, mas seja...
Não vou mais olhar pra trás...